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Mídias sociais e mapa participativo no PLHIS de Pelotas

Um Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) tem como objetivo orientar o planejamento local do setor habitacional para as áreas urbana e rural do município.

Como nos Planos Diretores, a elaboração do PLHIS deve contar com a participação de toda a comunidade, principalmente daqueles membros de conselhos, associações, e entidades representativas.

O PLHIS de Pelotas apresenta algumas novidades no que diz respeito à participação da população, pois disponibiliza diversos canais de interação através do uso de recursos tecnológicos da Internet e dos SIG:

Blog que acompanha todas as atividades desenvolvidas durante as etapas de elaboração do PLHIS, como as visitas às áreas com problemas:

Rede social que já conta com mais de 400 amigos, e possibilita o bate-papo, envio de mensagens entre os participantes, fóruns de discussão, enquetes, etc.

Twitter que fornece alertas de notícias sobre o Plano: @plhispelotas

Mapa participativo no qual os usuários podem postar eventos no mapa, o que possibilita a coleta de informações georeferenciados segundo a percepção dos moradores.

Estes canais de participação online complementam os eventos presenciais. Estão disponíveis 24h por dia, a partir de qualquer ponto com acesso a Internet, possibilitando que mais pessoas participem. Quando comparado com as reuniões nas quais os participantes têm que fazer suas observações na frente de um grupo de estranhos, as ferramentas participativas online permitem que o façam de uma forma relativamente anônima. A Internet também amplia o acesso às informações, o que evita que o processo seja dominado por indivíduos ou grupos que se sobrepõem aos demais, mas cujas visões não necessariamente representam a maioria.

SIG Participativo, bom exemplo brasileiro

“A cartografia se mostra como um elemento de combate. A sua produção é um dos momentos possíveis para a auto-afirmação social” (PNCSA)

No relatório anual de 2010 a Ford Foundation premiou o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) que trabalha no mapeamento de comunidades locais auxiliando movimentos sociais e seus agentes na representação de manifestações de identidade coletiva, ocupação e territorialidade.

Este vídeo mostra um pouca da idéia desenvolvida na área indígena e Associação Etnoambiental Beija Flor, que fica em uma área de 42 hectares dentro da zona urbana de Rio Preto da Eva (AM). A ação fortaleceu a relação da comunidade com seu entorno e promoveu através da publicação do projeto o reconhecimento de suas terras junto às autoridades legais.

Mapa interativo com o levantamento realizado.

É um bom exemplo aplicado do que se chama SIG Participativo (PGIS – Participatory GIS). Este tipo de ação também pode ser tomada em escalas menores, urbanas e bairros. O objetivo visa a apropriação do espaço através do seu mapeamento, construindo uma base de dados e informações espaciais que podem ser úteis para fortalecimento e participação local nos processos e comunicação de análises e projetos.

[+ PPGIS.net]

por fausto

ObservaPOA

Quando se discutem novas formas de governar e monitorar as ações de participação pública locais é importante que isto acompanhe os novos métodos e  tecnologias disponíveis. São temas como governo eletrônico (eGov) e disponibilização de dados (opendata) que visam a transparência e eficácia na gestão pública.

Porto Alegre conta com a iniciativa da administração municipal no portal ObservaPOA que tem o objetivo de oferecer “uma ampla base de informações georreferenciadas sobre o município (…) contribuindo para a consolidação da participação cidadã na gestão da cidade“.

Seu projeto parte de uma ação conjunta de várias cidades e entidades civis para “sistematizar informações e congregar atores ampliando leque de informações, capacitando a ação do cidadão“. O portal reúne indicadores, banco de dados, monitora algumas ações da prefeitura e de participação cidadã com a intenção de construir um mapeamento socioeconômico e ambiental da cidade.

Transformando dados em aplicativos: Londres foi considerada uma ‘Cidade Inteligente’ pela TIME

Sendo uma iniciativa local é interessante acompanhar as notícias e de que forma o portal evolui. Também poder contribuir assim que for proposta uma interatividade maior. O ambiente ainda não é muito amigável e a disponibilização dos dados é pouca. É necessário ir além das tabelas e representações de mapas estáticos passando a trabalhar com webmapas mais interativos e download dos dados em formatos usuais (shape ou kml, por exemplo) para manipulação em programas adequados, acompanhando as ferramentas disponíveis. Devemos apostar neste tipo de portal em que a informação pode ir além de sua organização e visualização ou como diz o slogan do CivicApps Data da cidade de Portland (EUA): “Tornar os dados acessíveis e fáceis de usar”, tanto para o usuário mais experiente quanto para o interesses mais genéricos. É assim que nascem as idéias e iniciativas colaborativas, além de possibilitar maior monitoramento da transparência dos dados governamentais.

Abaixo, mais links de algumas cidades que estão apostando nestas ações:
City of Ottawa
ParisData
OpenBaltimore
Generalitat de Cataluña Datos Abiertos
Data.gov.uk
OpenDataPhilly