Novos princípios do urbanismo – François Ascher

François AscherFrançois Ascher (1946-2009), urbanista e sociólogo ganhador do Grand Prix de l’urbanisme de 2009,  é autor do livro ‘Metápolis’ (1995) e a quem é atribuído a definição do termo.

Em seu livro de 2001 ‘Novos princípios do urbanismo’ trata dos desafios da sociedade onde as conexões vão além dos laços físicos e visíveis e como a maior presença das redes nos obriga a entender a dimensão das cidades de outra forma. É o que chama de neo-urbanismo.

Aqui cito apenas algumas passagens onde o autor refere a importância dos modelos e na qualidade dos dados e informações para melhorias na gestão pública.

“Os profissionais do urbanismo serão levados a introduzir nas suas práticas o uso destes novos modelos de desempenho e a utilizar as potencialidades das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) nas suas próprias atividades. Os bancos de dados urbanos e os modelos de simulação e visualização a três dimensões abrem, com efeito, possibilidades consideráveis que ‘retroagem’ nos conteúdos dos próprios projetos.” [Da particularização espacial à cidade de todas as redes]

“Isso [impulsionar a gestão procedimental de interesse geral] necessita de competências técnicas, de sistemas de observação e de bases de dados bastante mais elaboradas do que aquelas de que as administrações, com uma atividade que era muito mais ‘normalizada’ e repetitiva, dispunham.” [Da administração à regulação]

A versão de 2010 da editora portuguesa ainda traz do mesmo autor o texto  ‘Novos compromissos urbanos – um léxico’ (2008). No Brasil encontrei somente esta versão para venda.

por fausto

Aeromovel Trensurb

O Aeromovel que ligará a Estação Salgado Filho ao Aeroporto Salgado Filho é uma aposta da Trensurb, com apoio do Ministério das Cidades, de melhoria da infraestrutura de Porto Alegre para a Copa de 2014.

No site do Aeromovel, é possível visualizar numa animação o futuro trajeto,  acompanhar o andamento das obras, além de saber mais sobre o projeto – notícias, parceiros, histórico, etc.

Segundo o site, o Aeromovel percorrerá aproximadamente 950 metros em 90 segundos, por via elevada. Terá capacidade para 150 ou 300 passageiros, dependendo da demanda do período. A tecnologia foi desenvolvida no Brasil – o “projeto piloto” é aquele ao lado gasômetro – e já foi aplicada pra valer em Jacarta na Indonésia.

por geisabugs

De onde vêm as boas idéias?

É um mito pensar que as grandes idéias nascem num surto de inspiração de uma cabeça iluminada.

Steven Johnson, pensador do ciberespaço (mais de 1 milhão de seguidores no twitter) e  autor de vários livros sobre o tema (Cultura da Interface e Emergência, dentro outros), afirma que as boas idéias surgem da conectividade, de ambientes colaborativos, da coalizão de palpites, da sedimentação do saber…

Atualmente, vivemos um aumento histórico na conectividade. A Internet nos propicia novas formas de nos conectar e encontrar aquela peça que faltava para nosso palpite virar uma boa idéia. Aproveitemos!

por geisabugs

Estatística para todos – The Joy of Stats

“When we discuss about the world we just use mindsets, we don’t use data sets. We have a continuous world where most people live somewhere in the middle.” H.R.

Dá até para lembrar os programas de televisão que colocam médicos, filósofos e economistas para “facilitar aqueles assuntos complicados da vida” nos finais dos nossos domingos. Mas a rede BBC sabe bem o que faz e produziu em 2010 o documentário The Joy of Stats com o professor de saúde pública e entusiasta da estatística Hans Rosling.

O vídeo completo  ainda aborda criminalidade, novas tecnologias e as mudanças que os métodos científicos passam para poder analisar a grande quantidade de dados que somos capazes que coletar hoje em dia.

Co-fundador da Gapminder Foundation utiliza dados públicos de organizações internacionais, como a OMS, para a construção de gráficos dinâmicos em suas palestras. Acredita que a acessibilidade das informações e a facilitação do entendimento podem transformar as concepções que temos do mundo moderno e suas constantes mudanças. Rosling e sua fundação são fortes defensores da disponibilização gratuita de dados pelos órgãos públicos.

Com suas apresentações performáticas, cheias de críticas e alegando sempre que “statistics is now the sexiest subject on the planet” tornou-se figura frequente no TED e em congressos por todo o mundo. Rosling costuma tratar de temas como desenvolvimento econômico, saúde pública e crescimento populacional entre o Ocidente e o Oriente.

Vídeo: Let my dataset change your mindset (TED, jun. 2009)

No site da fundação (que é sem fins lucrativos) há muito mais informações e vídeos . Também é possível baixar o Gapminder Desktop e algumas bases de dados para aventurar-se e entender como criar estes gráficos.

por fausto

Geotaggers’ World Atlas & Locals and Tourists

Eric Fischer, fotógrafo e cartógrafo digital, pegou dados geográficos de fotos (geotags) compartilhadas no Flickr e Picasa e os plotou em cima de mapas de várias cidades ao redor do mundo (em torno de 50) ara fazer o Geotaggers’ World Atlas.

Já no Locals and Tourists ele dividiu as fotografias em três grupos: azul para moradores (pessoas que tiraram fotos em uma cidade por mais de um mês), vermelho para turistas (pessoas que tiraram fotos em uma cidade por menos de um mês) e amarelo para indeterminado.

Os resultados são muito interessantes. Algumas cidades parecem ser quase que inteiramente fotografadas por turistas, como Roma.

Outras parecem ter muitas fotos tiradas em partes que os turistas não visitam, como Londres.

Para Lisboa, por exemplo, é fácil identificar três concentrações: área da Expo ao  norte, Centro (Alfama, Bairro Alto, Rossio e arredores), e Belém.

E em Paris, a grande quantidade de turistas na área central (Arco do Triunfo, Torre Eiffel, Museu do Louvre, entre outros), La Défense, e Versalhes.

por geisabugs

As redes sociais são a sociedade

Assistir a ótima palestra do Augusto de Franco no America Latina Global Fórum faz repensar alguns conceitos.

Augusto explica que as redes sociais não são as mídias sociais, mas sim a sociedade (capital social). O que é novidade são as redes online que facilitam a interatividade. Segundo ele, devemos atentar para três grandes confusões:

1) Descentralização vs. distribuição – Nossas instituições são 90% organizadas de forma descentralizada. Se perder um dos múltiplos centros não consegue se readaptar rapidamente. Atualmente, com os fluxos dos novos mundos altamente conectados, estão emergindo redes distribuídas. Mas nossas instituições ainda são redes hierárquicas, top-down, baseadas na disciplina. Como a sociedade está cada vez mais em rede, mais interativa, mais conectada, as organizações não vão suportar os fluxos e terão que se readaptar. Diagramas de Paul Baran (1964):

2) Participação vs. interação – Estamos viciados na idéia de que tudo tem que ser participativo. As redes sociais são ambientes de interação e não de participação, pois as pessoas entregues a si mesmas encontram soluções. Quatro fenômenos sustentam esta idéia: a) clustering – tudo que interage clusteriza, independente do conteúdo, em função dos graus de distribuição e conectividade; b) swarming – movimentos coletivos que evoluem sincronizadamente, por exemplo: nuvem de insetos, e manifestantes da Praça Tahrir no Cairo; c) cloning – a vida imita a vida, a convivência imita a convivência, a pessoa imita o social; e d) crunching – contração (os 6 graus de conectividade estão diminuindo), no mundo menor sabemos mais coisas e assim, o social reinventa o poder, no lugar de poder mandar nos outros surge o poder de encorajá-los (empowerment).

3) Site da rede vs. rede – A rede pode usar outras mídias (telefone, carta, presencial). O que caracteriza a rede é o padrão de organização, não a mídia. Porém, tendo uma plataforma interativa é mais fácil. Uma rede não é uma ferramenta, mas sim pessoas conectadas horizontalmente, interagindo por iniciativa própria. Se não houver rede social a plataforma interativa tende a ficar inativa.

Os vídeo do Global Fórum estarão disponíveis online a partir de amanhã. Abaixo, apresentação do Augusto de Franco no TED São Paulo:

por geisabugs

The Morphing City


Com uma amostra de dados que representa a rede viária e o tráfego na cidade de Lisboa, agrupados como se decorressem em 24 horas, este vídeo acima deixa de lado a percepção geográfica das informações e mostra em forma de distorções como cada alteração de fluxo nas artérias afeta toda a rede da cidade.

Ver víde0 do tráfego em Lisboa em horário de congestionamento

Seguindo ainda nesta temática, o autor português Pedro Miguel Cruz, que já teve trabalhos premiados em mostras de design, representa esta mesma rede como se fossem vasos sanguíneos “explorando a metáfora da cidade como um organismo vivo com problemas circulatórios”.

São belos exemplos de visualização de informação ou design de comunicação.

+Vídeos

por fausto

Sobre redes e filtros online

No livro The Filter Bubble, Eli Pariser questiona os algoritmos por trás das ferramentas de busca online que controlam os resultados destas buscas.

Isso mesmo, se duas pessoas fizerem a mesma pesquisa no Google, a ferramenta de busca mais usada, o resultado será diferente, pois os algoritmos “calculam o melhor resultado para nós” baseado em várias informações pessoais de comportamento que disponibilizamos (clicks, por exemplo). Ou seja, o resultado da pesquisa é o que um filtro “pensa” que queremos ver – um resultado personalizado.

A questão levantada por Pariser é que não temos escolha e podemos estar consumindo “lixo” dependendo da qualidade dos resultados. Além disso, este fato pode por em risco a Internet como um espaço aberto, no qual temos acesso a diferentes pontos de vista.

Para mais reflexões sobre o tema, acesse o excelente blog do 2i2p.

Abaixo,  a apresentação de Pariser no TED:

http://ted.com/talks/view/id/1091

por geisabugs

Copa do Mundo a qualquer custo?

A arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, professora da USP e relatora da ONU para o direito à moradia adequada, esteve em Porto Alegre para conhecer os impactos das obras da Copa do Mundo de 2014 e conversar com as autoridades locais e a população de comunidades atingidas.

Ela esteve na Nova Vila Dique na Zona Norte, onde foram assentadas as famílias removidas para as obras de ampliação do aeroporto, e na Sede da Ocupação 20 de Novembro na Avenida Padre Cacique que também será removida para a construção do complexo do Beira-Rio. Constatou que em Porto Alegre, como em outras cidades, há uma inversão de prioridades: a moradia, um direito humano, fica em segundo plano em nome da execução do evento.

O blog do Comitê Popular da Copa tem uma matéria bem completa sobre as impressões da arquiteta.

Raquel, na qualidade de relatora da ONU, estudou os impactos de megaeventos como a Copa do Mundo em outros países, e afirma que é um mito que haja um legado socioambiental positivo para as cidades que realizam os eventos. Também para o professor Carlos Vainer da UFRJ, a euforia da Copa cria o que chama de cidades de exceção: qualquer ação passa a ser legitimada em nome da Copa do Mundo sem questionamento, ou conhecimento, por parte da população.

Entretanto, Porto Alegre ainda tem a chance de criar modelos que sirvam de exemplo no Morro Santa Tereza e na duplicação da Avenida Tronco. O primeiro poderá resultar num caso de regularização fundiária e o segundo no resssentamento das famílias nas imediações (em terrenos ociosos). Para Raquel, “Esses dois projetos jogam um paradigma para o Brasil e para o mundo de que as coisas não são excludentes. É possível fazer este evento de uma outra forma”.

por geisabugs

Wear you Live – nós queremos!

Nós também queremos uma camiseta de Porto Alegre como as que o City Fabric produz na sua série de produtos Wear you Live. Os caras fazem camisetas com mapas fundo-figura, tão conhecidos dos arquitetos e urbanistas (utilizados nas analises de morfologia e densidade, por exemplo). Atualmente são 13 cidades nos EUA e expandindo…


Segundo os criadores, este tipo de mapa é tão simples e visual que permite que qualquer pessoa o entenda e possa contar uma história sobre o lugar onde vive. O projeto é uma tentativa de consciência cívica. Eles acreditam que quanto mais as pessoas falarem sobre o seu lugar, mais estarão envolvidas com a sua comunidade. Nós também acreditamos nisso!

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