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Geo.Canoas – dados urbanísticos na internet

O portal Geo.Canoas, idealizado pelo Instituto Canoas XXI, é um ótimo exemplo de democratização de informações geográficas, pois permite consulta de mapas topográficos e de ordenamento urbano na web, reunindo dados que antes ficavam centralizados nos computadores da Prefeitura Municipal. Por meio dessa ferramenta, lançada no início deste ano, qualquer cidadão tem acesso ao mapa de lotes da cidade, com diversas camadas de informação disponíveis, como, por exemplo, cadastro de logradouros, topografia, hidrografia, equipamentos comunitários e imagem de satélite atualizada.

Merece destaque a disponibilização de informações urbanísticas, como o ordenamento urbano, com seus respectivos índices e usos permitidos, e as diretrizes viárias, com seus respectivos perfis viários – tudo isso conforme o Plano Diretor do município. As informações vão aparecendo conforme se aumenta o nível de zoom, e consultas podem ser feitas mediante um simples clique no mapa.

Geo.Canoas1

Geo.Canoas2

Iniciativas como essa vem ao encontro das tendências mais recentes de transparência pública, além de constituírem importantes ferramentas de planejamento urbano e gestão, já que órgãos públicos e privados podem ter fácil acesso a dados urbanísticos.

Urban Mobs

Urban Mobs é uma ferramenta para visualização do tráfego das chamadas com celulares. Segundo os autores, permite criar uma “cartografia da emoção popular”, pois durante grandes eventos, como partidas de futebol, por exemplo, todos querem compartilhar seu entusiasmo através das chamadas.

O vídeo abaixo mostra as ligações em Barcelona durante a final do Campeonato Europeu de Futebol em 2008. É possível perceber as diferentes etapas do jogo (cronometro no canto superior esquerdo): início, intervalo, gol, fim do jogo, e a grande comemoração.

No site tem vídeos disponíveis para Paris, Barcelona, Madrid, Varsóvia, Cracóvia e Bucareste. Urban Mobs é uma tecnologia desenvolvida pela Orange e faberNovel.

Mapeamento colaborativo – Ushahidi

Uma companhia sem fins lucrativos que desenvolve softwares livres e de código aberto para coleta de informação, visualização e mapeapamento interativo.”

É assim que se apresenta a o projeto Ushahidi (testemunho, no idioma suaíli). Iniciaram com o mapeamento dos atos violentos nas eleições do Kenya em 2008.  Desde então, realizaram vários outros trabalhos em situações de crise em desastres naturais como alagamentos (Austrália) ou outros terremotos (Chile, Nova Zelândia e Japão). Em alguns casos tendo as plataformas implantadas em poucos horas depois do desastre.

Em 2010, após o terremoto do Haiti, colaborou no mapeamento das infraestruturas de emergência além de reunir em tempo real as mensagens enviadas por pessoas soterradas ajudando as equipes de resgate em sua localização. Na metade final deste outro vídeo* conta mais desta história.

A idéia inicial do projeto facilmente adaptou-se para outras causas. Como o exemplo da solicitação feita pela ONU/Coordenação de Assuntos Humanitários para auxiliar as Forças Voluntárias antigoverno da  Líbia no início de 2011. Ou ainda para o monitorando o processo eleitoral que ocorreu na Libéria também este ano.

A plataforma Ushahidi dispõem de ferramentas para a democratização da informação, aumentando sua transparência e ultrapassando barreiras para que as pessoas compartilhem suas histórias e situações. Como o pacote SwiftRiver que lida com grande quantidade de dados e a sua interpretação por um algoritmo, auxiliando e não substituindo a leitura humana. Permite também  ferramentas criadas pelos próprios usuários.

A plataforma livre Crowdmap.com é a versão sem necessidade de instalação em um servidor (cloud). E já é utilizada até pelos recentes ativistas do movimento Occupy espalhados pelo mundo.

Este projeto é exemplo para uma boa discussão sobre a força de crowdsourcing,  como utilizamos a tecnologia, estando esta para bem e para o mau, e como ela pode ser disponibilizada. Mostra o quanto é importante a revolução do “onde” que hoje em dia está presente nas mais diversas áreas e temas.

[+] O princípio disto tudo e colaborações estão muito bem explicado neste longo vídeo. Atenção às boas perguntas no final da palestra.
[+] TED: Ushahidi

Geospatial Revolution – em breve um post 

ObservaPOA

Quando se discutem novas formas de governar e monitorar as ações de participação pública locais é importante que isto acompanhe os novos métodos e  tecnologias disponíveis. São temas como governo eletrônico (eGov) e disponibilização de dados (opendata) que visam a transparência e eficácia na gestão pública.

Porto Alegre conta com a iniciativa da administração municipal no portal ObservaPOA que tem o objetivo de oferecer “uma ampla base de informações georreferenciadas sobre o município (…) contribuindo para a consolidação da participação cidadã na gestão da cidade“.

Seu projeto parte de uma ação conjunta de várias cidades e entidades civis para “sistematizar informações e congregar atores ampliando leque de informações, capacitando a ação do cidadão“. O portal reúne indicadores, banco de dados, monitora algumas ações da prefeitura e de participação cidadã com a intenção de construir um mapeamento socioeconômico e ambiental da cidade.

Transformando dados em aplicativos: Londres foi considerada uma ‘Cidade Inteligente’ pela TIME

Sendo uma iniciativa local é interessante acompanhar as notícias e de que forma o portal evolui. Também poder contribuir assim que for proposta uma interatividade maior. O ambiente ainda não é muito amigável e a disponibilização dos dados é pouca. É necessário ir além das tabelas e representações de mapas estáticos passando a trabalhar com webmapas mais interativos e download dos dados em formatos usuais (shape ou kml, por exemplo) para manipulação em programas adequados, acompanhando as ferramentas disponíveis. Devemos apostar neste tipo de portal em que a informação pode ir além de sua organização e visualização ou como diz o slogan do CivicApps Data da cidade de Portland (EUA): “Tornar os dados acessíveis e fáceis de usar”, tanto para o usuário mais experiente quanto para o interesses mais genéricos. É assim que nascem as idéias e iniciativas colaborativas, além de possibilitar maior monitoramento da transparência dos dados governamentais.

Abaixo, mais links de algumas cidades que estão apostando nestas ações:
City of Ottawa
ParisData
OpenBaltimore
Generalitat de Cataluña Datos Abiertos
Data.gov.uk
OpenDataPhilly

Estatística para todos – The Joy of Stats

“When we discuss about the world we just use mindsets, we don’t use data sets. We have a continuous world where most people live somewhere in the middle.” H.R.

Dá até para lembrar os programas de televisão que colocam médicos, filósofos e economistas para “facilitar aqueles assuntos complicados da vida” nos finais dos nossos domingos. Mas a rede BBC sabe bem o que faz e produziu em 2010 o documentário The Joy of Stats com o professor de saúde pública e entusiasta da estatística Hans Rosling.

O vídeo completo  ainda aborda criminalidade, novas tecnologias e as mudanças que os métodos científicos passam para poder analisar a grande quantidade de dados que somos capazes que coletar hoje em dia.

Co-fundador da Gapminder Foundation utiliza dados públicos de organizações internacionais, como a OMS, para a construção de gráficos dinâmicos em suas palestras. Acredita que a acessibilidade das informações e a facilitação do entendimento podem transformar as concepções que temos do mundo moderno e suas constantes mudanças. Rosling e sua fundação são fortes defensores da disponibilização gratuita de dados pelos órgãos públicos.

Com suas apresentações performáticas, cheias de críticas e alegando sempre que “statistics is now the sexiest subject on the planet” tornou-se figura frequente no TED e em congressos por todo o mundo. Rosling costuma tratar de temas como desenvolvimento econômico, saúde pública e crescimento populacional entre o Ocidente e o Oriente.

Vídeo: Let my dataset change your mindset (TED, jun. 2009)

No site da fundação (que é sem fins lucrativos) há muito mais informações e vídeos . Também é possível baixar o Gapminder Desktop e algumas bases de dados para aventurar-se e entender como criar estes gráficos.

por fausto

Dados e setor público

Este é um exemplo bem interessante de projeto que mostra como a sistematização e visualização de dados pode ajudar os usuários a explorar e compreender padrões e tendências, e também apresentar as informações aos outros auxiliando na tomada de decisões sólidas baseadas em dados apresentados. Desenvolvido no Reino Unido é uma parceira pública entre o Departamento para Comunidades e Governo Local e a Oxford Consultants for Social Inclusion (OCSI) da Universidade de Oxford.

Disponibilizar dados ao público de forma organizada é deixar tudo mais acessível além de mais transparente trazendo benefícios aos setores de planejamento. Nas páginas dos envolvidos há muita informação sobre estes temas. Mergulha lá!