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SIG e saúde pública. A história começa aqui…

Londres, séc. 19 – Um grande centro urbano superhabitado, industrializado e com muitos bairros sem sistema de escoamento cloacal onde era permitindo o despejo de dejetos em fossas nos porões ou mesmo no rios e canais. Em 1854, um surto de cólera arrasa o bairro do Soho. É neste cenário que muitos consideram o surgimento dos primeiros exemplos de mapeamento espacial de forma sistemática para estudo de fenômenos urbanos.

No livro “O Mapa Fantasma” (The Ghost Map, 2006) Steven Johnson descreve este acontecimento e seus personagens. Principalmente as ações de John Snow (físico e higienista) que após observações produz o famoso mapa relacionando os agrupamentos dos casos fatais de cólera e as bombas de fornecimento de água. Snow convenceu as autoridades a desativar a bomba de água na rua Broad, de onde concluiu ter partido a contaminação que se alastrou pela cidade, solucionando o aparecimento de novos casos gradativamente. Abaixo, o mapa produzido por John Snow mostrando agrupamento dos casos fatais de cólera onde cada barra representa uma morte. (Londres, 1854)

Snow não descobriu a causa do cólera, mas a relação  por proximidade do número de mortes e o ponto de fornecimento de água foi determinante para sua conclusão. Importante lembrar que eram tempos em que não se conhecia a microbiologia e a teoria dos miasmistas, onde os males eram transmitidos pelo ar e poluição, prevalecia sobre qualquer outra ideia.

Esta história gera controvérsias ainda debatidas quanto a originalidade das análises de Snow, mas claramente foi uma revolução no modo de pensar e agir. Temas como estatística, saúde pública e uso de informações sistematizadas de forma mais científica proporcionaram uma evolução para estudos modernos como a epidemiologia, urbanismo, análise espacial e visualização de dados.

Atualmente, surgem exemplos que unem a evolução dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e a área da saúde pública. Na reportagem abaixo mostra um projeto em Santa Rosa/RS que está implantando o mapeamento dos pacientes locais. Mais importante que apenas ter os dados levantados é a possibilidade de cruzamentos e análise das correlações, otimizando as ações e suporte às decisões dos profissionais e administradores públicos. Clique na imagem e o vídeo será reproduzido em outra página.

Georreferenciamento é implantado na área da saúde de Santa Rosa pra agilizar atendimento (Globo.tv)

Voltando ao caso de Londres, as imagens abaixo mostram um simples exemplo de análise tempo/espacial dos acontecimentos que podem ser realizados em um SIG.

Fonte: Wikipedia. “Choleramaplondon1830”. Licensed under Copyrighted free use via Wikimedia Commons .

Ou ainda o trabalho do Laboratório de Visualização Eletrônica da Universidade de Illinois (Chicago) que de forma mais interativa mostra os dados da época e possibilita a análise de algumas relações e agrupamentos. (Melhor visualizado no Google Chrome).

[+] Primeiros capítulos do livro “O Mapa Fantasma”.
[+] Site do livro com mais informações e vídeos.
 
 

Estatística para todos – The Joy of Stats

“When we discuss about the world we just use mindsets, we don’t use data sets. We have a continuous world where most people live somewhere in the middle.” H.R.

Dá até para lembrar os programas de televisão que colocam médicos, filósofos e economistas para “facilitar aqueles assuntos complicados da vida” nos finais dos nossos domingos. Mas a rede BBC sabe bem o que faz e produziu em 2010 o documentário The Joy of Stats com o professor de saúde pública e entusiasta da estatística Hans Rosling.

O vídeo completo  ainda aborda criminalidade, novas tecnologias e as mudanças que os métodos científicos passam para poder analisar a grande quantidade de dados que somos capazes que coletar hoje em dia.

Co-fundador da Gapminder Foundation utiliza dados públicos de organizações internacionais, como a OMS, para a construção de gráficos dinâmicos em suas palestras. Acredita que a acessibilidade das informações e a facilitação do entendimento podem transformar as concepções que temos do mundo moderno e suas constantes mudanças. Rosling e sua fundação são fortes defensores da disponibilização gratuita de dados pelos órgãos públicos.

Com suas apresentações performáticas, cheias de críticas e alegando sempre que “statistics is now the sexiest subject on the planet” tornou-se figura frequente no TED e em congressos por todo o mundo. Rosling costuma tratar de temas como desenvolvimento econômico, saúde pública e crescimento populacional entre o Ocidente e o Oriente.

Vídeo: Let my dataset change your mindset (TED, jun. 2009)

No site da fundação (que é sem fins lucrativos) há muito mais informações e vídeos . Também é possível baixar o Gapminder Desktop e algumas bases de dados para aventurar-se e entender como criar estes gráficos.

por fausto