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Cursos intensivos de SIG com software livre QGIS

A todo momento produzimos dados que geram milhões de informações. Diz-se que 80% destes dados tem como componente a informação geográfica, ou seja, tem um “endereço” – as coordenadas do local. Na busca por coletar, compreender e disseminar informações, o “onde” tem grande relevância, ou como bem resumiu Paul Longley: “Quase tudo o que acontece, acontece em algum lugar. Saber onde acontece alguma coisa pode ser muito importante”.

Os SIG – Sistemas de Informação Geográfica são ambientes computacionais voltados à visualização e interpretação de informação geográficas. São incorporados por agentes do setor privado e público ou ainda por iniciativas civis que buscam explorá-las de diversas formas e finalidades. Ter um tema em questão e poder mapeá-lo, analisar seu comportamento, e divulgar estes resultados de forma cada vez mais rápida e acessível a todos os públicos são algumas das contribuições dos SIG para as mais diferentes áreas de atuação. Em todas as escalas, desde o mapeamento de áreas remotas, entender fluxos, encontrar o melhor local ou rota, analisar relações espaciais e temporais, e espacializar fenômenos urbanos, o SIG é uma potente ferramenta.

Neste contexto, os objetivos do curso são introduzir noções de SIG e cartografia digital utilizando o software livre QGIS para a aquisição, armazenamento, tratamento, e análise de informações geográficas. Além de explorar as capacidades dos SIG para aplicações no planejamento e na gestão urbana ou ainda instigar ações cidadãs que contribuam de alguma forma para o entendimento do nosso meio.

Curso GAUP QGIS 2015 cartazA4

Contato e inscrições: cursos@gaup.com.br

Barreiras à Utilização dos SIG no Planejamento

O interesse por parte dos planejadores em adotar os SIG nas suas atividades práticas vem crescendo ultimamente. As razões incluem os avanços nos softwares livres, a forte presença de ferramentas básicas de SIG e mapas online, a promoção da educação superior, o aumento do acesso a bases de dados abertas, e a difusão das geotecnologias no setor privado.

No entanto, o uso dos SIG em órgãos públicos de planejamento ainda não atingiu o nível que os estudiosos imaginavam. Nos casos em que ocorre, a utilização é bastante básica, e raramente inclui modelagem de cenários ou análise espacial, mas tão somente inventários e mapas. O potencial dos SIG como ferramenta de planejamento não está sendo totalmente explorado.

Uma pesquisa realizada em órgãos públicos de planejamento dos Estados Unidos em 2007 concluiu que treinamento, financiamento e disponibilidade de dados são os maiores obstáculos à utilização dos SIG no planejamento.

Segundo os pesquisadores, a capacitação dos técnicos especificamente em aplicações de SIG no planejamento urbano é a principal medida que deve ser tomada para ajudar a alterar esta situação. Ou seja, a visão limitada do potencial dos SIG é um problema maior do que a falta de recursos financeiros.

Outros pontos destacados foram as mudanças bruscas nos softwares – ocasionando dificuldade em manter-se informado, a falta de financiamento – que tanto dificulta o acesso à formação quanto aos softwares e hardwares, e problemas com a disponiblidade de dados espaciais – que persiste mesmo duas décadas depois do surgimento dos SIG nas esferas públicas.

Para superar as barreiras, a pesquisa sugere uma formação que inclua:

  • Oficinas, seminários e aulas que destaquem a utilidade dos SIG para análises espacias, modelagem, e participação pública;
  • Treinamentos com ferramentas de SIG na Internet, uma vez que são ferramentas prontamente disponíveis;
  • Melhorar a acessibilidade aos treinamentos;
  • Compartilhamento de experiências e discussão do futuro do ensino dos SIG no currículo dos cursos de planejamento urbano e áreas afins;
  • Promover o trabalho em rede (conferências, encontros de grupos de usuários, listas de discussão), a fim de aumentar a consciência sobre casos bem sucedidos.

Fonte: Göçmen, Z. A.; Ventura, S. J. Barriers to GIS use in planning. Journal of the American Planning Association, v. 76, n.2, p. 172-183, 2010.

Geo.Canoas – dados urbanísticos na internet

O portal Geo.Canoas, idealizado pelo Instituto Canoas XXI, é um ótimo exemplo de democratização de informações geográficas, pois permite consulta de mapas topográficos e de ordenamento urbano na web, reunindo dados que antes ficavam centralizados nos computadores da Prefeitura Municipal. Por meio dessa ferramenta, lançada no início deste ano, qualquer cidadão tem acesso ao mapa de lotes da cidade, com diversas camadas de informação disponíveis, como, por exemplo, cadastro de logradouros, topografia, hidrografia, equipamentos comunitários e imagem de satélite atualizada.

Merece destaque a disponibilização de informações urbanísticas, como o ordenamento urbano, com seus respectivos índices e usos permitidos, e as diretrizes viárias, com seus respectivos perfis viários – tudo isso conforme o Plano Diretor do município. As informações vão aparecendo conforme se aumenta o nível de zoom, e consultas podem ser feitas mediante um simples clique no mapa.

Geo.Canoas1

Geo.Canoas2

Iniciativas como essa vem ao encontro das tendências mais recentes de transparência pública, além de constituírem importantes ferramentas de planejamento urbano e gestão, já que órgãos públicos e privados podem ter fácil acesso a dados urbanísticos.

Aulas de gvSIG

Sexta-feira passada encerramos o módulo de Geoprocessamento de Dados, do curso de especialização em Urbanismo Contemporâneo da UniRitter, em Porto Alegre. Muito gratificante ver os ótimos resultados obtidos pelos alunos durante as aulas práticas com o software gvSIG.

A seguir alguns dos mapas produzidos:

Ministrantes: Geisa Bugs e Alice Rauber

Mapeamento subjetivo e visualização de informação

O vídeo acima é o último trabalho do estúdio húngaro Kitchen Budapest que experimenta interações entre comunicação, redes online e espaço urbano. O SubMap 2.0: Ebullition (parte do projeto SubMap) mostra a relação no espaço e no tempo das notícias do maior site deste gênero do país capturadas nos últimos 12 anos. Cada vez que um lugar é mencionado são representadas distorções visuais e sonoras no mapa do país criando um efeito de bolha a partir do centro do dado geolocalizado. Cada frame do vídeo equivale um dia e cada segundo um mês, resultando uma animação audiovisual distorcida do mapa (até então uma representação estática) utilizando dados dinâmicos.

A crescente utilização de aparelhos (gadgets) com aplicativos de geolocalização individual de ações e situações cotidianas (p. ex. Foursquare,  posts ou twitters com coordenadas) acaba permitindo também um novo foco nos dados coletivos de fluxos, razões e ânimos (mood) em determinado espaço ou rede. O mapeamento subjetivo e a visualização da informação criam novas fontes de representação e análise destas experiências pessoais no universo dos utilizadores destas redes. O mapa não é mais estático e com dados apenas públicos, agora pode ser dinâmico e representativo de experiências particulares.

Há vários exemplos que certamente serão citados neste blog, mas o projeto We Feel Fine, resume este tema muito bem. Iniciou em 2005, utilizando um algoritmo que monitorou as postagens feitas na internet que continham “I feel…” e “I am feeling…” identificando o “estado de espírito” das frases além de apoiar-se nos metadados e extrair localização, gênero do usuário e até informações meteorológicas do momento. Capturou dados e transformou em gráficos que resumem o complexo panorama de emoções de diversos temas, de cidades até aprovação de celebridades.

O projeto acabou virando um livro em 2009 e pode ser experimentado aqui. Porém, pela interatividade vale mais uma visita ao site.

Nova ferramenta para monitorar mudanças de uso e cobertura do solo

Processos de mudança de uso e cobertura do solo, como, por exemplo, a conversão de terra rural em terra urbanizada, têm sido amplamente estudados por pesquisadores e profissionais ligados ao planejamento urbano e regional. Agora o INPE está lançando e disponibilizando na internet uma nova ferramenta que permite modelar esse tipo de mudanças.

http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=2765

Resultado de parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e a Universidade Federal de Ouro Preto, a ferramenta LuccME (do inglês “Land Use and Cover Change”) promete a possibilidade de representar e simular diferentes processos de mudança de uso e cobertura da terra, como desmatamentos, expansão da fronteira agrícola, desertificação, degradação florestal, expansão urbana e outros processos em diferentes escalas e áreas de estudo. Uma das aplicações deste tipo de modelo é a construção de cenários espacialmente explícitos de futuros alternativos.

Fiquei curiosa, já estou fazendo o download para testar o novo aplicativo!

por alicerauber

Rede social

Recentemente criada a rede social GeoConnectPeople pretende reunir pessoas envolvidas e interessadas em geotecnologias e seu vasto campo de atuação.

A iniciativa é brasileira e é mais um canal onde se pode participar e acompanhar o que acontece aqui e em outros lugares nesta área muito promissora. A rede já conta  com mais de 800 membros brasileiros e estrangeiros até agora.