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Cidades Inteligentes e sensores

Várias cidades do mundo (e.g. Amsterdam, ​​São Paulo, Dubai, Helsinki, Estocolmo, Barcelona, Viena, Toronto e  Toquio) querem se tornar “cidades inteligentes” ou smart cities. Verifica-se uma tendência, mas ainda há muita discussão sobre o conceito e sobre como alcançar este objetivo.

Michael Batty e pesquisadores da UCL, em um artigo recente, definem cidades inteligentes como uma cidade em que as TIC são mescladas com as infraestruturas tradicionais, através do uso de novas tecnologias digitais. Estas tecnologias possibilitam que cidadãos, governos, empresas e agências interajam e gerem sistemas mais eficientes,  aumentem a sua compreensão da cidade e o engajamento no planejamento da mesma.

Dentre as possíveis áreas de pesquisas em torno do tema, o artigo destaca o uso de sensores, smart phones (com GPS) e redes sociais. Este é um dos aspectos das cidades inteligentes que já está sendo empregado na prática. Recentemente, a conceituada revista alemã Spiegel divulgou Santander na Espanha como exemplo de cidade inteligente, a qual possui uma população de cerca de 180.000 habitantes e em torno de 10 mil sensores instalados (apenas no centro da cidade).

Os sensores, dentro de pequenas caixas, são acoplados a lâmpadas, postes, paredes de edifícios, etc. Até os cidadãos podem se tornar sensores humanos através de um aplicativo chamado Pulse of the City. Os sensores medem  de tudo: luz, pressão, temperatura, umidade, movimentos de carros e pessoas. A cada dois minutos, transmitem os dados para um laboratório localizado na Universidade da Cantabria. Um computador central compila e grava os dados. Assim, o sistema sabe simultaneamente onde os engarrafamentos estão localizados, pode informar exatamente onde as lâmpadas de iluminação pública devem ser trocadas, ou otimizar a coleta de lixo através de avisos emitidos quando os container precisam ser esvaziados, por exemplo.

sensores

Tudo isso potencializa a oferta de serviços públicos inteligentes. Por exemplo, na parada de ônibus, basta iniciar o aplicativo e apontar o telefone para a parada a fim de saber quando vai chegar o próximo ônibus, bem como os tempos de todas as demais linhas. Os cidadãos de Santander também podem enviar fotos de buracos nas ruas, as quais automaticamente vão acompanhadas de um relatório digital com dados de GPS. O computador central envia a informação tanto para aqueles que são responsáveis ​​pela parte técnica do problema, quanto para aqueles que têm a responsabilidade política. Também é possível acompanhar quanto tempo leva para o dano a ser reparado.

Mas outro aspecto importantíssimo de uma cidade inteligente é que os residentes podem acessar estes dados facilmente. Informações que antes eram confidenciais são disponibilizadas publicamente, incluindo dados de difícil acesso como os preços imobiliários. Essa avalanche de dados supostamente inspirará programadores a criar mais e mais aplicativos para tornar Santander ainda mais inteligente. Segundo a revista, até agora, não houve nenhuma resistência ao projeto. E nenhum dos sensores foram destruídos por vândalos. Um pioneirismo que merece ser parabenizado!