Arquivo da tag: idéias

Crowdsourcing idéias para as cidades

O crowdsourcing operacionaliza a chamada sabedoria das multidões, termo oriundo do livro The Wisdom of Crowds de James Surowiecki sobre a agregação de informação em grupos. Com base em investigações empíricas o autor conclui que sob as circunstâncias corretas, os grupos são muitas vezes mais inteligentes do que as pessoas mais inteligentes neles.

Talvez o maior exemplo de crowdsourcing seja a Wikipédia, um dos sítios mais acessados atualmente. A enciclopédia livre e gratuita é construída continuamente através de um sistema de gerenciamento de conteúdo que cria um repositório de informações atualizáveis facilmente por seus usuários, a Wiki. A Wiki nasceu porque um desenvolvedor, cansado das pessoas lhe pedirem para atualizar isso ou aquilo, convidou-as para contribuir escrevendo relatórios informais e compartilhar essas idéias com todos. Para tornar isso possível, ele criou um aplicativo Web, no qual qualquer um poderia contar a sua história e editar o que foi escrito por outros, melhorando assim o conteúdo da informação.

Se o crowdsourcing é um modelo legitimo de resolução de problemas, porque o planejamento urbano não pode utiliza-lo? É o que propõe Daren C. Brabham neste artigo. Para ele, em essência, qualquer projeto de planejamento urbano baseia-se em um problema, e se houver um problema que pode ser moldado de forma clara, e se todos os dados relativos a este problema podem ser disponibilizados, esse problema pode ser crowdsourced.

Iniciativas como esta de Hamburgo e desse pessoal do Rio de Janeiro baseiam-se nessa premissa. Permitem que os indivíduos desenvolvam idéias e as coloquem para revisão entre seus pares. Então, facilmente, a multidão pode vasculhar as idéias para encontrar as boas, uma classificação que poderia ser feita com uma simples votação online do tipo “curti”.

Nexthamburg: idéias para o futuro da cidade

Online desde 2009, Nexthamburg é um projeto bottom-up (porém financiado pelo governo alemão!), cujo objetivo é pensar, de forma criativa e construtiva, o futuro da cidade em conjunto com o maior número possível de cidadãos.

NextHamburg-map

Os cidadãos podem postar qualquer idéia, mesmo as que não parecem plausíveis à primeira vista. Ou comentar e votar nas idéias postadas por outros. O site não promete que irá por as idéias em prática, mas oferece uma plataforma para discussões e trocas.

O mais legal é que a cada mês as três idéias com o maior número de votos são apresentadas em destaque no site. E a cada semestre acontece um evento presencial, no qual é selecionada uma idéia vencedora. A idéia vencedora é posteriormente analisada quanto a sua viabilidade.

NextHamburg_event

Desde 2010 Nexthamburg também é parceiro de uma estação local de rádio, na qual apresenta, a cada duas semanas, as idéias da comunidade online em um programa matinal com alcance de cerca de 150 mil espectadores.

O site é operado por uma equipe de urbanistas, sociólogos, cientistas políticos e profissionais da mídia.

Strange Maps

Para descontrair um pouco recomendo uma espiada no blog Strange Maps, que apresenta uma série de inusitadas maneiras de representar o urbano.

Dentre os mais de 500 posts, encontram-se pérolas como a analogia da cidade como um ovo, que trata da evolução da forma urbana, desde a antiga cidade densa e compacta (ovo frito), até a cidade contemporânea, dispersa e policêntrica (ovo mexido). Com quê tipo de ovo a cidade irá se assemelhar no futuro???

Gostei também dos gráficos mostrando a distribuição da população mundial, por latitude e longitude. Impressionante: quase 90% da população mundial vive no hemisfério norte!

Outros mapas, gráficos e desenhos divertidos podem ser encontrados no blog. Enjoy it!

Apresentação XII Conferência do OIDP

Amanhã, 12/6, das 13h30 às 16h30, estaremos no Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre, falando sobre “Ferramentas SIG para o Planejamento Participativo“, no Eixo 4 – Processos Criativos na Democracia Participativa, da XII Conferência do Observatório Internacional de Democracia Participativa – OIDP. Abaixo, a apresentação!

 

 

Mapeamento subjetivo e visualização de informação

O vídeo acima é o último trabalho do estúdio húngaro Kitchen Budapest que experimenta interações entre comunicação, redes online e espaço urbano. O SubMap 2.0: Ebullition (parte do projeto SubMap) mostra a relação no espaço e no tempo das notícias do maior site deste gênero do país capturadas nos últimos 12 anos. Cada vez que um lugar é mencionado são representadas distorções visuais e sonoras no mapa do país criando um efeito de bolha a partir do centro do dado geolocalizado. Cada frame do vídeo equivale um dia e cada segundo um mês, resultando uma animação audiovisual distorcida do mapa (até então uma representação estática) utilizando dados dinâmicos.

A crescente utilização de aparelhos (gadgets) com aplicativos de geolocalização individual de ações e situações cotidianas (p. ex. Foursquare,  posts ou twitters com coordenadas) acaba permitindo também um novo foco nos dados coletivos de fluxos, razões e ânimos (mood) em determinado espaço ou rede. O mapeamento subjetivo e a visualização da informação criam novas fontes de representação e análise destas experiências pessoais no universo dos utilizadores destas redes. O mapa não é mais estático e com dados apenas públicos, agora pode ser dinâmico e representativo de experiências particulares.

Há vários exemplos que certamente serão citados neste blog, mas o projeto We Feel Fine, resume este tema muito bem. Iniciou em 2005, utilizando um algoritmo que monitorou as postagens feitas na internet que continham “I feel…” e “I am feeling…” identificando o “estado de espírito” das frases além de apoiar-se nos metadados e extrair localização, gênero do usuário e até informações meteorológicas do momento. Capturou dados e transformou em gráficos que resumem o complexo panorama de emoções de diversos temas, de cidades até aprovação de celebridades.

O projeto acabou virando um livro em 2009 e pode ser experimentado aqui. Porém, pela interatividade vale mais uma visita ao site.

TIC mudando paradigmas da educação

Já faz algum tempo que vi esta animação de uma desconcertante palestra do Sir Ken Robinson, especialista em educação e criatividade, sobre como os paradigmas do modelo educacional estão ultrapassados e precisam ser revistos.

E parei para pensar o quão chato deve ser para as crianças de hoje em dia – que já nascem com o dedo no mouse, aliás, na tela touch screen – serem ensinadas da mesma forma como eu fui. Lembra do professor escrevendo com giz no quadro negro? Pois na maioria dos casos é esse o modelo que ainda se segue (na escola, na graduação, na pós…).

Recentemente, me deparei com esta bela iniciativa em Pernambuco que busca exatamente ultrapassar este modelo, tirando partido das TIC para tornar a educação mais intuitiva e interativa.

Segundo o site: “A Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OjE) é um projeto especial da Secretaria de Educação do estado de Pernambuco. Consiste em um serviço educacional que estimula os processos de aprendizagem entre alunos e professores do ensino básico através do diálogo e da diversão em um ambiente Web. A OjE funciona como uma rede social rica em jogos digitais e atividades que desafiam os jogadores ao longo de uma aventura RPG que enfatiza habilidades cognitivas e colaborativas. Os desafios da aventura incluem jogos casuais, enigmas inspirados no ENEM, “wikigames” e jogos de realidade alternativa (ARGs).”

Bem mais interessante aprender e ensinar assim, não é mesmo?

por geisabugs

De onde vêm as boas idéias?

É um mito pensar que as grandes idéias nascem num surto de inspiração de uma cabeça iluminada.

Steven Johnson, pensador do ciberespaço (mais de 1 milhão de seguidores no twitter) e  autor de vários livros sobre o tema (Cultura da Interface e Emergência, dentro outros), afirma que as boas idéias surgem da conectividade, de ambientes colaborativos, da coalizão de palpites, da sedimentação do saber…

Atualmente, vivemos um aumento histórico na conectividade. A Internet nos propicia novas formas de nos conectar e encontrar aquela peça que faltava para nosso palpite virar uma boa idéia. Aproveitemos!

por geisabugs