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Mapas das Áreas de Interesse Arqueológico de Porto Alegre

Em 2013, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, através da Coordenação da Memória Cultural, órgão da Secretaria da Cultura, promoveu a elaboração e atualização da cartografia das Áreas de Interesse Arqueológico do município utilizando os SIG. O objetivo foi organizar e mapear uma base de dados existente (tabular), composta por áreas já escavadas e catalogadas.

Foram gerado dois mapas, cuja classificação adotada segue a importância e o período das ocorrências. O primeiro apresenta os Sítios e Ocorrências Arqueológicas Registrados, bem como os locais pesquisados mas sem evidências, e os locais pouco impactados pela urbanização.

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O outro apresenta a Evolução da Ocupação Urbana no Município de Porto Alegre, cuja classificação foi dividida em 3 períodos, de forma cronológica, em que a cor mais escura foi adotada para o período mais antigo (iniciando em 1752) e assim gradativamente até a cor mais clara para o período mais recente com interesse arqueológico (ano de 1956). Pode-se observar que grande parte da expansão urbana se deu ao longo das vias, que no mapa estão representadas na mesma graduação de cores por trechos lineares ao longo dos logradouros.

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Trata-se de um cadastro georreferenciado que visa apoiar o setor público na tomada de decisão sobre questões que envolvam a preservação das áreas catalogadas bem como a identificação de novas áreas de interesse arqueológico. Com a desenvolvimento de novas escavações e/ou estudos, este trabalho poderá, e deverá, ser complementando.

Ferramenta Digital Participativa do Plano Diretor de Bento Gonçalves-RS

A revisão do Plano Diretor de Bento Gonçalves, em curso, apresenta uma plataforma Web participativa. Nela, o participante, após o preenchimento de dados de identificação, responde questões que envolvem o terreno onde vive, condições econômicas e estruturais do bairro, e pode apontar os principais problemas urbanos do município. O usuário também tem acesso a um mapa que indica os locais de origem dos demais participantes. Os resultados  ficam automaticamente disponíveis na aba ‘Estatísticas’, que apresenta gráficos e percentuais das respostas.

Os dados coletados são disponibilizados na forma de tabelas que podem ser analisadas em softwares de análises estatísticas, bem como espacializados em software de SIG, produzindo, assim, mais uma camada de informações a ser considerada ma tomada de decisões do Plano Diretor.

Nexthamburg: idéias para o futuro da cidade

Online desde 2009, Nexthamburg é um projeto bottom-up (porém financiado pelo governo alemão!), cujo objetivo é pensar, de forma criativa e construtiva, o futuro da cidade em conjunto com o maior número possível de cidadãos.

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Os cidadãos podem postar qualquer idéia, mesmo as que não parecem plausíveis à primeira vista. Ou comentar e votar nas idéias postadas por outros. O site não promete que irá por as idéias em prática, mas oferece uma plataforma para discussões e trocas.

O mais legal é que a cada mês as três idéias com o maior número de votos são apresentadas em destaque no site. E a cada semestre acontece um evento presencial, no qual é selecionada uma idéia vencedora. A idéia vencedora é posteriormente analisada quanto a sua viabilidade.

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Desde 2010 Nexthamburg também é parceiro de uma estação local de rádio, na qual apresenta, a cada duas semanas, as idéias da comunidade online em um programa matinal com alcance de cerca de 150 mil espectadores.

O site é operado por uma equipe de urbanistas, sociólogos, cientistas políticos e profissionais da mídia.

CityDashboard

Recentemente o CASA, laboratório da UCL, lançou mais um projeto de visualização de dados espaciais espetacular, o CityDashboard.

O CityDashboard agrega dados sobre transporte, notícias, política, meio ambiente, negócios, clima, etc., de diversas cidades do Reino Unido (Birmingham, Cardiff, Edinburgh, Glasgow, Leeds, London, Manchester e Newcastle), e os exibe, em tempo real, em um painel de informações e, é claro, em um mapa.

O sistema puxa dados, por exemplo, de feeds de notícias da BBC, informações geográficas do OpenStreetMap, dados meteorológicos do Google, trends do Twitter, câmeras de tráfego, níveis de água ao longo o Tâmisa, e dados do detector de radiação da UCL.

Cada seção tem uma contagem regressiva para a próxima atualização. Nada é armazenado localmente e tudo é atualizado constantemente. O que significa que não há como recuperar o histórico de informações. Mas, como explicam os desenvolvedores, o objetivo é captar o “pulso” de uma cidade e mostrar “ao vivo”, uma tendência em OpenData.

Planos futuros incluem a capacidade de fornecer dados mais próximos aos espectadores, ou seja, focar no local da cidade onde o expectador se encontra, e estender o projeto para toda a Europa!

Mapeamento colaborativo de favelas

Muito interessante esse post no blog Cidades para Pessoas, sobre o mapeamento colaborativo de uma favela em Nairobi, capital do Quênia. Os moradores foram treinados para isso e utilizaram o OpenStreetMap.

Kibera é a maior favela africana

A metodologia empregada no Projeto Mapeando Kibera seria muito útil para aplicação em favelas brasileiras, o governo deveria apoiar iniciativas como essa. E já que envolve um treinamento com profissionais capacitados em Sistemas de Informações Geográficas, será que para sua operacionalização não caberia algo nos moldes da Lei 11.888/2008?

Esta lei assegura o direito das famílias de baixa renda à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social. A assistência técnica poderia ser ampliada para assistência ao mapeamento de favelas.

Conforme consta no Manual elaborado pelo IAB-RS, a solução do problema das populações carentes não está apenas na simples remoção para outros locais. Uma das soluções mais adequadas, eficientes e já comprovadas por inúmeras experiências é o investimento na reestruturação urbana, na qualificação das condições locais, na regularização fundiária, evitando a expulsão dos moradores para conjuntos afastados e destituídos de qualidade espacial e que tendem a rapidamente transformar-se em novas favelas. E para esse tipo de reestruturação uma base de informações mapeadas é de fundamental importância.

Mapeamento subjetivo e visualização de informação

O vídeo acima é o último trabalho do estúdio húngaro Kitchen Budapest que experimenta interações entre comunicação, redes online e espaço urbano. O SubMap 2.0: Ebullition (parte do projeto SubMap) mostra a relação no espaço e no tempo das notícias do maior site deste gênero do país capturadas nos últimos 12 anos. Cada vez que um lugar é mencionado são representadas distorções visuais e sonoras no mapa do país criando um efeito de bolha a partir do centro do dado geolocalizado. Cada frame do vídeo equivale um dia e cada segundo um mês, resultando uma animação audiovisual distorcida do mapa (até então uma representação estática) utilizando dados dinâmicos.

A crescente utilização de aparelhos (gadgets) com aplicativos de geolocalização individual de ações e situações cotidianas (p. ex. Foursquare,  posts ou twitters com coordenadas) acaba permitindo também um novo foco nos dados coletivos de fluxos, razões e ânimos (mood) em determinado espaço ou rede. O mapeamento subjetivo e a visualização da informação criam novas fontes de representação e análise destas experiências pessoais no universo dos utilizadores destas redes. O mapa não é mais estático e com dados apenas públicos, agora pode ser dinâmico e representativo de experiências particulares.

Há vários exemplos que certamente serão citados neste blog, mas o projeto We Feel Fine, resume este tema muito bem. Iniciou em 2005, utilizando um algoritmo que monitorou as postagens feitas na internet que continham “I feel…” e “I am feeling…” identificando o “estado de espírito” das frases além de apoiar-se nos metadados e extrair localização, gênero do usuário e até informações meteorológicas do momento. Capturou dados e transformou em gráficos que resumem o complexo panorama de emoções de diversos temas, de cidades até aprovação de celebridades.

O projeto acabou virando um livro em 2009 e pode ser experimentado aqui. Porém, pela interatividade vale mais uma visita ao site.

Urban Mobs

Urban Mobs é uma ferramenta para visualização do tráfego das chamadas com celulares. Segundo os autores, permite criar uma “cartografia da emoção popular”, pois durante grandes eventos, como partidas de futebol, por exemplo, todos querem compartilhar seu entusiasmo através das chamadas.

O vídeo abaixo mostra as ligações em Barcelona durante a final do Campeonato Europeu de Futebol em 2008. É possível perceber as diferentes etapas do jogo (cronometro no canto superior esquerdo): início, intervalo, gol, fim do jogo, e a grande comemoração.

No site tem vídeos disponíveis para Paris, Barcelona, Madrid, Varsóvia, Cracóvia e Bucareste. Urban Mobs é uma tecnologia desenvolvida pela Orange e faberNovel.

Mapeamento colaborativo – Ushahidi

Uma companhia sem fins lucrativos que desenvolve softwares livres e de código aberto para coleta de informação, visualização e mapeapamento interativo.”

É assim que se apresenta a o projeto Ushahidi (testemunho, no idioma suaíli). Iniciaram com o mapeamento dos atos violentos nas eleições do Kenya em 2008.  Desde então, realizaram vários outros trabalhos em situações de crise em desastres naturais como alagamentos (Austrália) ou outros terremotos (Chile, Nova Zelândia e Japão). Em alguns casos tendo as plataformas implantadas em poucos horas depois do desastre.

Em 2010, após o terremoto do Haiti, colaborou no mapeamento das infraestruturas de emergência além de reunir em tempo real as mensagens enviadas por pessoas soterradas ajudando as equipes de resgate em sua localização. Na metade final deste outro vídeo* conta mais desta história.

A idéia inicial do projeto facilmente adaptou-se para outras causas. Como o exemplo da solicitação feita pela ONU/Coordenação de Assuntos Humanitários para auxiliar as Forças Voluntárias antigoverno da  Líbia no início de 2011. Ou ainda para o monitorando o processo eleitoral que ocorreu na Libéria também este ano.

A plataforma Ushahidi dispõem de ferramentas para a democratização da informação, aumentando sua transparência e ultrapassando barreiras para que as pessoas compartilhem suas histórias e situações. Como o pacote SwiftRiver que lida com grande quantidade de dados e a sua interpretação por um algoritmo, auxiliando e não substituindo a leitura humana. Permite também  ferramentas criadas pelos próprios usuários.

A plataforma livre Crowdmap.com é a versão sem necessidade de instalação em um servidor (cloud). E já é utilizada até pelos recentes ativistas do movimento Occupy espalhados pelo mundo.

Este projeto é exemplo para uma boa discussão sobre a força de crowdsourcing,  como utilizamos a tecnologia, estando esta para bem e para o mau, e como ela pode ser disponibilizada. Mostra o quanto é importante a revolução do “onde” que hoje em dia está presente nas mais diversas áreas e temas.

[+] O princípio disto tudo e colaborações estão muito bem explicado neste longo vídeo. Atenção às boas perguntas no final da palestra.
[+] TED: Ushahidi

Geospatial Revolution – em breve um post 

Mídias sociais e mapa participativo no PLHIS de Pelotas

Um Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) tem como objetivo orientar o planejamento local do setor habitacional para as áreas urbana e rural do município.

Como nos Planos Diretores, a elaboração do PLHIS deve contar com a participação de toda a comunidade, principalmente daqueles membros de conselhos, associações, e entidades representativas.

O PLHIS de Pelotas apresenta algumas novidades no que diz respeito à participação da população, pois disponibiliza diversos canais de interação através do uso de recursos tecnológicos da Internet e dos SIG:

Blog que acompanha todas as atividades desenvolvidas durante as etapas de elaboração do PLHIS, como as visitas às áreas com problemas:

Rede social que já conta com mais de 400 amigos, e possibilita o bate-papo, envio de mensagens entre os participantes, fóruns de discussão, enquetes, etc.

Twitter que fornece alertas de notícias sobre o Plano: @plhispelotas

Mapa participativo no qual os usuários podem postar eventos no mapa, o que possibilita a coleta de informações georeferenciados segundo a percepção dos moradores.

Estes canais de participação online complementam os eventos presenciais. Estão disponíveis 24h por dia, a partir de qualquer ponto com acesso a Internet, possibilitando que mais pessoas participem. Quando comparado com as reuniões nas quais os participantes têm que fazer suas observações na frente de um grupo de estranhos, as ferramentas participativas online permitem que o façam de uma forma relativamente anônima. A Internet também amplia o acesso às informações, o que evita que o processo seja dominado por indivíduos ou grupos que se sobrepõem aos demais, mas cujas visões não necessariamente representam a maioria.

SIG Participativo, bom exemplo brasileiro

“A cartografia se mostra como um elemento de combate. A sua produção é um dos momentos possíveis para a auto-afirmação social” (PNCSA)

No relatório anual de 2010 a Ford Foundation premiou o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) que trabalha no mapeamento de comunidades locais auxiliando movimentos sociais e seus agentes na representação de manifestações de identidade coletiva, ocupação e territorialidade.

Este vídeo mostra um pouca da idéia desenvolvida na área indígena e Associação Etnoambiental Beija Flor, que fica em uma área de 42 hectares dentro da zona urbana de Rio Preto da Eva (AM). A ação fortaleceu a relação da comunidade com seu entorno e promoveu através da publicação do projeto o reconhecimento de suas terras junto às autoridades legais.

Mapa interativo com o levantamento realizado.

É um bom exemplo aplicado do que se chama SIG Participativo (PGIS – Participatory GIS). Este tipo de ação também pode ser tomada em escalas menores, urbanas e bairros. O objetivo visa a apropriação do espaço através do seu mapeamento, construindo uma base de dados e informações espaciais que podem ser úteis para fortalecimento e participação local nos processos e comunicação de análises e projetos.

[+ PPGIS.net]

por fausto