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O novo urbanismo

Os ideais do novo urbanismo tem conquistado vários adeptos, principalmente nos Estados Unidos (e.g. James Howard Kunstler). O novo urbanismo defende um planejamento baseado em resultados físicos, numa visão de cidade compacta e heterogênea. Se assemelha aos primórdios do urbanismo ao usar as relações espaciais para criar uma cidade melhor. Daí o nome.

O novo urbanismo clama por projetos urbanos que incluam uma variedade de tipos de construções, usos mistos, habitação para diferentes grupos de renda, presença marcante dos espaços públicos, forma urbana que estimule a vizinhança, envolvimento da comunidade, e sentimentos subjetivos de integração com o ambiente e satisfação estética. Segundo os defensores, sua concepção incorpora as diferenças e proporciona às pessoas o que elas realmente querem e não o que as leis de zoneamento e construtores lhes impõem. A unidade básica de planejamento é o bairro, haja vista que a crítica ao subúrbio americano é parte fundamental do discurso do novo urbanismo.

Talvez o aspecto mais interessante do novo urbanismo é que sua promessa de uma melhor qualidade de vida inspira movimentos sociais. Há uma atração à doutrina porque os lugares que pretendem criar são apelativos a qualquer um.

O Placemaking, por exemplo, é um movimento que se descreve ao mesmo tempo um processo e uma filosofia, que se inspira na comunidade para a criar espaços públicos agradáveis ​​e interessantes que promovam a saúde das pessoas, a felicidade e o bem-estar. Segundo o Projects for Public Space, os conceitos do placemaking originaram-se na década de 1960, nas idéias de Jane Jacobs sobre a criação de cidades para pessoas, a importância dos bairros e dos espaços públicos convidativos, e a posse cidadã das ruas através da agora famosa idéia dos “olhos na rua”.

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Outro exemplo neste sentido é o já bastante conhecido Cidade para Pessoas, um projeto criado pela jornalista Natália Garcia (Jane Jacobs também era jornalista! – qualquer semelhança não é mera coincidência?) que questiona: “Mas como tornar uma cidade melhor para seus moradores?” Inspirada pelo trabalho do arquiteto dinamarquês Jan Gehl, ela viajou por diversas cidade do mundo buscando inspiração. Atualmente mantém um blog e faz diversas palestras divulgando as boas práticas para a aplicação nas cidades brasileiras.

Referências

Fainstein, S. S. New directions in planning theory. Urban affairs review, v. 35,  n. 4, p. 451-478, 2000.