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Evolução do Papel dos SIG e das Tecnologias no Planejamento Urbano

Segundo Klosterman (2001) e Foth et al. (2009), o papel dos SIG e das tecnologias no planejamento urbano foi evoluindo de acordo com a teoria de planejamento em voga e com as tecnologias disponíveis.

Influenciado pelo paradigma positivista, a abordagem do planejamento urbano na década de 1960 foi o planejamento racional. As tecnologias serviam para fornecer suporte ao planejamento politicamente neutro e objetivo. A tecnologia disponível, os computadores de grande porte, eram utilizados principalmente por departamentos governamentais e universidades. Era, portanto, um planejamento guiado por especialistas.

Na década de 1970, movido pela perspectiva da economia política, com foco na promoção da equidade social, começou-se a questionar a abordagem positivista. As tecnologias eram vistas como parte inerente das estruturas de poder existentes, reforçando os interesses políticos em vez de beneficiar as comunidades.

Na década de 1980, a teoria comunicativa de Habermas influenciou o planejamento comunicativo, orientado para a participação pública no planejamento e processos de tomada de decisão. O papel das tecnologias era facilitar a transmissão de informações e a comunicação. Neste período, o acesso às geotecnologias tornou-se mais fácil.

Desde a década de 1990 tem havido uma tendência crescente à utilização dos SIG, com o desenvolvimento da WebGIS, e softwares de SIG livre. Neste período, o planejamento evoluiu para uma abordagem de equipe multidisciplinar, pluralista, com ênfase no planejamento colaborativo e um nível ainda maior de envolvimento dos cidadãos.

Porém, Klosterman (2001) e Foth et al. (2009) param por ai na sua análise evolutiva do uso dos SIG no planejamento. Para completar este quadro, especula-se que no século XXI, ocorrerá um necessário alargamento do papel dos SIG no planejamento urbano, fomentado pelo planejamento eletrônico, ubiquidade das tecnologias digitais no espaço urbano, cidadãos como sensores, e as cidades inteligentes.

Referências:

Klosterman, R. E. 2001. Planning Support Systems: A New Perspective on Computer-aided Planning. In: Brail, R. K.; Klosterman, R. E. (Eds.), Redlands, California: ESRI.

Foth, M.; Bajracharya, B.; Brown, R.; Hearn, G. 2009. The Second Life of urban planning? Using NeoGeography tools for community engagement. Journal of Location Based Services, v 3, n. 2, p. 97-117.