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Planejamento e gestão da mobilidade urbana

Resgatando velhos conceitos para o futuro da cidade, estudo de caso em São Luís – MA, elaborado por Diogo Pires Ferreira para o programa Master Europeu de Urbanismo, além de ser um belo vídeo, mostra como é possível, através de uma metodologia relativamente simples de diagnóstico, propor soluções para o problema tão complexo da mobilidade urbana.

Infelizmente essa maçaroca de linhas de ônibus, não é exclusividade de São Luís. Ou alguém entende esse mapa das linhas de ônibus de Porto Alegre? Já tentou contar quantas linhas tem ali? Entra no site da EPTC então e tenta achar uma linha de ônibus que passa pela tua rua!

Porto Alegre não tem licitação para as empresas de transporte coletivo há 20 anos. Aqui, como em muitos outros lugares, além do planejamento futuro, precisamos de uma gestão adequada dos serviços urbanos prestados à população.

No blog urbanidades é possível encontrar posts interessantes sobre mobilidade urbana, os quais também mostram que existem sim soluções que podem fazer toda a diferença!

por geisabugs

ObservaPOA

Quando se discutem novas formas de governar e monitorar as ações de participação pública locais é importante que isto acompanhe os novos métodos e  tecnologias disponíveis. São temas como governo eletrônico (eGov) e disponibilização de dados (opendata) que visam a transparência e eficácia na gestão pública.

Porto Alegre conta com a iniciativa da administração municipal no portal ObservaPOA que tem o objetivo de oferecer “uma ampla base de informações georreferenciadas sobre o município (…) contribuindo para a consolidação da participação cidadã na gestão da cidade“.

Seu projeto parte de uma ação conjunta de várias cidades e entidades civis para “sistematizar informações e congregar atores ampliando leque de informações, capacitando a ação do cidadão“. O portal reúne indicadores, banco de dados, monitora algumas ações da prefeitura e de participação cidadã com a intenção de construir um mapeamento socioeconômico e ambiental da cidade.

Transformando dados em aplicativos: Londres foi considerada uma ‘Cidade Inteligente’ pela TIME

Sendo uma iniciativa local é interessante acompanhar as notícias e de que forma o portal evolui. Também poder contribuir assim que for proposta uma interatividade maior. O ambiente ainda não é muito amigável e a disponibilização dos dados é pouca. É necessário ir além das tabelas e representações de mapas estáticos passando a trabalhar com webmapas mais interativos e download dos dados em formatos usuais (shape ou kml, por exemplo) para manipulação em programas adequados, acompanhando as ferramentas disponíveis. Devemos apostar neste tipo de portal em que a informação pode ir além de sua organização e visualização ou como diz o slogan do CivicApps Data da cidade de Portland (EUA): “Tornar os dados acessíveis e fáceis de usar”, tanto para o usuário mais experiente quanto para o interesses mais genéricos. É assim que nascem as idéias e iniciativas colaborativas, além de possibilitar maior monitoramento da transparência dos dados governamentais.

Abaixo, mais links de algumas cidades que estão apostando nestas ações:
City of Ottawa
ParisData
OpenBaltimore
Generalitat de Cataluña Datos Abiertos
Data.gov.uk
OpenDataPhilly

Copa do Mundo a qualquer custo?

A arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, professora da USP e relatora da ONU para o direito à moradia adequada, esteve em Porto Alegre para conhecer os impactos das obras da Copa do Mundo de 2014 e conversar com as autoridades locais e a população de comunidades atingidas.

Ela esteve na Nova Vila Dique na Zona Norte, onde foram assentadas as famílias removidas para as obras de ampliação do aeroporto, e na Sede da Ocupação 20 de Novembro na Avenida Padre Cacique que também será removida para a construção do complexo do Beira-Rio. Constatou que em Porto Alegre, como em outras cidades, há uma inversão de prioridades: a moradia, um direito humano, fica em segundo plano em nome da execução do evento.

O blog do Comitê Popular da Copa tem uma matéria bem completa sobre as impressões da arquiteta.

Raquel, na qualidade de relatora da ONU, estudou os impactos de megaeventos como a Copa do Mundo em outros países, e afirma que é um mito que haja um legado socioambiental positivo para as cidades que realizam os eventos. Também para o professor Carlos Vainer da UFRJ, a euforia da Copa cria o que chama de cidades de exceção: qualquer ação passa a ser legitimada em nome da Copa do Mundo sem questionamento, ou conhecimento, por parte da população.

Entretanto, Porto Alegre ainda tem a chance de criar modelos que sirvam de exemplo no Morro Santa Tereza e na duplicação da Avenida Tronco. O primeiro poderá resultar num caso de regularização fundiária e o segundo no resssentamento das famílias nas imediações (em terrenos ociosos). Para Raquel, “Esses dois projetos jogam um paradigma para o Brasil e para o mundo de que as coisas não são excludentes. É possível fazer este evento de uma outra forma”.

por geisabugs