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Urbanized (Gary Hustwit, 2011) – Aluguel de stream online

O documentário Urbanized (Gary Hustwit, 2011) já exibido nos EUA, Canadá e alguns países da Europa está disponível de forma online e paga desde início de dezembro.

Além ser oferecido na loja do iTunes (somente para América do Norte) agora também é possível alugar (!) o stream em HD do vídeo por 6,99 dólares.  No site explica como isto funciona e as formas de assitir. Inclusive como postar em um site ou blog e ganhar uma porcentagem das compras feitas através dele.

Como ainda não assisti ao documentário, este post é mais um aviso da possibilidade de fazer isso. É uma opção legal (nos dois sentidos!) para quem quer assistir e não tem muita esperança que chegue em alguma sala por perto. O espaço dos comentários esta aberto para as críticas e discussões.

Urbanized is a brave and timely movie that manages to strike almost exactly the right tone. The more people who see this movie the better. And the more politicians who see it – and are persuaded to look beyond the vested interests in front of them – the more powerful a tool Urbanized be.
– The Guardian

Assim o autor fecha a sua Design Triology, precedida pelos documentários Helvetica (2007) e Objectified (2009), que abordam temas como tipografia, design, arquitetura e urbanismo.

Mapeamento subjetivo e visualização de informação

O vídeo acima é o último trabalho do estúdio húngaro Kitchen Budapest que experimenta interações entre comunicação, redes online e espaço urbano. O SubMap 2.0: Ebullition (parte do projeto SubMap) mostra a relação no espaço e no tempo das notícias do maior site deste gênero do país capturadas nos últimos 12 anos. Cada vez que um lugar é mencionado são representadas distorções visuais e sonoras no mapa do país criando um efeito de bolha a partir do centro do dado geolocalizado. Cada frame do vídeo equivale um dia e cada segundo um mês, resultando uma animação audiovisual distorcida do mapa (até então uma representação estática) utilizando dados dinâmicos.

A crescente utilização de aparelhos (gadgets) com aplicativos de geolocalização individual de ações e situações cotidianas (p. ex. Foursquare,  posts ou twitters com coordenadas) acaba permitindo também um novo foco nos dados coletivos de fluxos, razões e ânimos (mood) em determinado espaço ou rede. O mapeamento subjetivo e a visualização da informação criam novas fontes de representação e análise destas experiências pessoais no universo dos utilizadores destas redes. O mapa não é mais estático e com dados apenas públicos, agora pode ser dinâmico e representativo de experiências particulares.

Há vários exemplos que certamente serão citados neste blog, mas o projeto We Feel Fine, resume este tema muito bem. Iniciou em 2005, utilizando um algoritmo que monitorou as postagens feitas na internet que continham “I feel…” e “I am feeling…” identificando o “estado de espírito” das frases além de apoiar-se nos metadados e extrair localização, gênero do usuário e até informações meteorológicas do momento. Capturou dados e transformou em gráficos que resumem o complexo panorama de emoções de diversos temas, de cidades até aprovação de celebridades.

O projeto acabou virando um livro em 2009 e pode ser experimentado aqui. Porém, pela interatividade vale mais uma visita ao site.

Urban Mobs

Urban Mobs é uma ferramenta para visualização do tráfego das chamadas com celulares. Segundo os autores, permite criar uma “cartografia da emoção popular”, pois durante grandes eventos, como partidas de futebol, por exemplo, todos querem compartilhar seu entusiasmo através das chamadas.

O vídeo abaixo mostra as ligações em Barcelona durante a final do Campeonato Europeu de Futebol em 2008. É possível perceber as diferentes etapas do jogo (cronometro no canto superior esquerdo): início, intervalo, gol, fim do jogo, e a grande comemoração.

No site tem vídeos disponíveis para Paris, Barcelona, Madrid, Varsóvia, Cracóvia e Bucareste. Urban Mobs é uma tecnologia desenvolvida pela Orange e faberNovel.

SIG Participativo, bom exemplo brasileiro

“A cartografia se mostra como um elemento de combate. A sua produção é um dos momentos possíveis para a auto-afirmação social” (PNCSA)

No relatório anual de 2010 a Ford Foundation premiou o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) que trabalha no mapeamento de comunidades locais auxiliando movimentos sociais e seus agentes na representação de manifestações de identidade coletiva, ocupação e territorialidade.

Este vídeo mostra um pouca da idéia desenvolvida na área indígena e Associação Etnoambiental Beija Flor, que fica em uma área de 42 hectares dentro da zona urbana de Rio Preto da Eva (AM). A ação fortaleceu a relação da comunidade com seu entorno e promoveu através da publicação do projeto o reconhecimento de suas terras junto às autoridades legais.

Mapa interativo com o levantamento realizado.

É um bom exemplo aplicado do que se chama SIG Participativo (PGIS – Participatory GIS). Este tipo de ação também pode ser tomada em escalas menores, urbanas e bairros. O objetivo visa a apropriação do espaço através do seu mapeamento, construindo uma base de dados e informações espaciais que podem ser úteis para fortalecimento e participação local nos processos e comunicação de análises e projetos.

[+ PPGIS.net]

por fausto

Planejamento e gestão da mobilidade urbana

Resgatando velhos conceitos para o futuro da cidade, estudo de caso em São Luís – MA, elaborado por Diogo Pires Ferreira para o programa Master Europeu de Urbanismo, além de ser um belo vídeo, mostra como é possível, através de uma metodologia relativamente simples de diagnóstico, propor soluções para o problema tão complexo da mobilidade urbana.

Infelizmente essa maçaroca de linhas de ônibus, não é exclusividade de São Luís. Ou alguém entende esse mapa das linhas de ônibus de Porto Alegre? Já tentou contar quantas linhas tem ali? Entra no site da EPTC então e tenta achar uma linha de ônibus que passa pela tua rua!

Porto Alegre não tem licitação para as empresas de transporte coletivo há 20 anos. Aqui, como em muitos outros lugares, além do planejamento futuro, precisamos de uma gestão adequada dos serviços urbanos prestados à população.

No blog urbanidades é possível encontrar posts interessantes sobre mobilidade urbana, os quais também mostram que existem sim soluções que podem fazer toda a diferença!

por geisabugs

Estatística para todos – The Joy of Stats

“When we discuss about the world we just use mindsets, we don’t use data sets. We have a continuous world where most people live somewhere in the middle.” H.R.

Dá até para lembrar os programas de televisão que colocam médicos, filósofos e economistas para “facilitar aqueles assuntos complicados da vida” nos finais dos nossos domingos. Mas a rede BBC sabe bem o que faz e produziu em 2010 o documentário The Joy of Stats com o professor de saúde pública e entusiasta da estatística Hans Rosling.

O vídeo completo  ainda aborda criminalidade, novas tecnologias e as mudanças que os métodos científicos passam para poder analisar a grande quantidade de dados que somos capazes que coletar hoje em dia.

Co-fundador da Gapminder Foundation utiliza dados públicos de organizações internacionais, como a OMS, para a construção de gráficos dinâmicos em suas palestras. Acredita que a acessibilidade das informações e a facilitação do entendimento podem transformar as concepções que temos do mundo moderno e suas constantes mudanças. Rosling e sua fundação são fortes defensores da disponibilização gratuita de dados pelos órgãos públicos.

Com suas apresentações performáticas, cheias de críticas e alegando sempre que “statistics is now the sexiest subject on the planet” tornou-se figura frequente no TED e em congressos por todo o mundo. Rosling costuma tratar de temas como desenvolvimento econômico, saúde pública e crescimento populacional entre o Ocidente e o Oriente.

Vídeo: Let my dataset change your mindset (TED, jun. 2009)

No site da fundação (que é sem fins lucrativos) há muito mais informações e vídeos . Também é possível baixar o Gapminder Desktop e algumas bases de dados para aventurar-se e entender como criar estes gráficos.

por fausto

As redes sociais são a sociedade

Assistir a ótima palestra do Augusto de Franco no America Latina Global Fórum faz repensar alguns conceitos.

Augusto explica que as redes sociais não são as mídias sociais, mas sim a sociedade (capital social). O que é novidade são as redes online que facilitam a interatividade. Segundo ele, devemos atentar para três grandes confusões:

1) Descentralização vs. distribuição – Nossas instituições são 90% organizadas de forma descentralizada. Se perder um dos múltiplos centros não consegue se readaptar rapidamente. Atualmente, com os fluxos dos novos mundos altamente conectados, estão emergindo redes distribuídas. Mas nossas instituições ainda são redes hierárquicas, top-down, baseadas na disciplina. Como a sociedade está cada vez mais em rede, mais interativa, mais conectada, as organizações não vão suportar os fluxos e terão que se readaptar. Diagramas de Paul Baran (1964):

2) Participação vs. interação – Estamos viciados na idéia de que tudo tem que ser participativo. As redes sociais são ambientes de interação e não de participação, pois as pessoas entregues a si mesmas encontram soluções. Quatro fenômenos sustentam esta idéia: a) clustering – tudo que interage clusteriza, independente do conteúdo, em função dos graus de distribuição e conectividade; b) swarming – movimentos coletivos que evoluem sincronizadamente, por exemplo: nuvem de insetos, e manifestantes da Praça Tahrir no Cairo; c) cloning – a vida imita a vida, a convivência imita a convivência, a pessoa imita o social; e d) crunching – contração (os 6 graus de conectividade estão diminuindo), no mundo menor sabemos mais coisas e assim, o social reinventa o poder, no lugar de poder mandar nos outros surge o poder de encorajá-los (empowerment).

3) Site da rede vs. rede – A rede pode usar outras mídias (telefone, carta, presencial). O que caracteriza a rede é o padrão de organização, não a mídia. Porém, tendo uma plataforma interativa é mais fácil. Uma rede não é uma ferramenta, mas sim pessoas conectadas horizontalmente, interagindo por iniciativa própria. Se não houver rede social a plataforma interativa tende a ficar inativa.

Os vídeo do Global Fórum estarão disponíveis online a partir de amanhã. Abaixo, apresentação do Augusto de Franco no TED São Paulo:

por geisabugs

The Morphing City


Com uma amostra de dados que representa a rede viária e o tráfego na cidade de Lisboa, agrupados como se decorressem em 24 horas, este vídeo acima deixa de lado a percepção geográfica das informações e mostra em forma de distorções como cada alteração de fluxo nas artérias afeta toda a rede da cidade.

Ver víde0 do tráfego em Lisboa em horário de congestionamento

Seguindo ainda nesta temática, o autor português Pedro Miguel Cruz, que já teve trabalhos premiados em mostras de design, representa esta mesma rede como se fossem vasos sanguíneos “explorando a metáfora da cidade como um organismo vivo com problemas circulatórios”.

São belos exemplos de visualização de informação ou design de comunicação.

+Vídeos

por fausto

Entre Rios

Entre Rios é um documentário sobre o processo de urbanização de São Paulo e a degradação que os rios foram expostos. Mostra, de forma muito didática, a força da ação do  homem e as conseqüências das decisões de planejamento, que, via de regra, são visíveis somente a longo prazo. Os 25 min. valem muito a pena!

O vídeo, de 2009, é de autoria de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini e colaboradores.